Título: Entre
linhas
Ao olharmos o tripitico de Hiercemymus Bosch, “o carro de
feno”, logo percebemos que é uma arte humanista.
Pois ela possui fortes traços da cultura vicentina, tendo
como exemplo os autos, obras tradicionais da idade média onde mistérios e
moralidades se transcendem, assim também como a cosmo visão teocêntrica e
antropocêntricas que em plena era medieval sofriam várias mudanças
humanísticas.
Analisando a obra percebemos desde contrastes irônicos a
valores tradicionais, bem ao centro vemos um grande pedaço de feno com rodas,
em cima dele um casal que representa a luxúria e estão recebendo a presença de
dois seres o anjo que significa o bem e
o demônio representando o mal.
Logo abaixo vemos uma multidão formada pó nobres em desespero
tentando subir, “assaltar” o carro que representaria a riqueza que abriga a
família da luxuria, pois como já dizia Belzebu (um personagem de Gil Vicente).
“Que ninguém busca consciência, mas só o dinheiro, fama,
dinheiro, comodidade e dinheiro.
Muitas das pessoas da multidão acabam sendo atropeladas, pois
ficam tão frustradas neste senso do capital que, ficam cegas para os
verdadeiros valores.
Continuando, a direita do carro vários seres inanimados o
puxam para o que seria o caminho do inferno, ainda em baixo da multidão há um
tipo de buraco onde uma falsa religião se refugia com várias comidas, mas só
para eles.
E por fim acima do carro vemos o céu claro, com algumas
nuvens amarelas, e entre elas a imagem de Cristo, o que na verdade seria a
verdadeira salvação, mas todos estão fechados dentro de si próprio, que não
conseguem perceber isso.
Creio que foi de uma grande felicidade a obra de Bosch, pois
como sabemos a vida nos abre vários caminhos certos e errados como neste
quadro, só basta escolher o certo.